quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

TIA

Não escrevo aqui no Blog há muito tempo. 

Na rotação passada estive sempre em programas e conheci muita malta solteira (não é o que parece), o que me permitiu ter muitos mais programas (com casados, espera-se que eles liguem para fazer algo ao fim-de-semana mas não se liga a pedir porque estão em família).

Cheguei ao Gabão para esta rotação mesmo em cima do Natal (dia 20 de Dezembro para ser exacto) e no dia seguinte voei logo de Libreville para Port-Gentil.

Passei o Natal com 3 amigos, um dos quais fazia anos no dia 24. Foi calmo e muito simpático com uma troca de presentes engraçada. Vou passar o ano com eles. Era suposto irmos à selva mas vamos adiar porque uns amigos nossos que ainda não chegaram também gostavam de ir e fica mais giro se formos mais.

Devemos passar o ano cá em Port-Gentil numa festa calma num restaurante do centro.

Hoje aconteceu-me pela primeira vez uma coisa (aparentemente) típica destas paragens, que me leva a escrever (está a ser um dia de trabalho calmo). 

A pessoa que trabalha neste escritório comigo está no tribunal a representar um cliente e estou tenho estado aqui sozinho. Qual o meu azar quando, há cerca de 1h30, um oficial do exército (com um físico mais generoso ainda que o meu) entra pelo escritório adentro com ar de cão a pedir comida à mesa!  

Tudo começou com um "como te chamas? eu sou o não sei quantos, prazer! Inch Allah vais poder ajudar-me" em tom de quase choro (note-se).

A história era que o filho ia ser operado, tinha uma pasta com os papeis para demonstrar (estavam era todos dobrados, empoeirados e rasgados, mas adiante) só que precisava de dinheiro para operação senão o filho ia morrer (diz que ele, pai sargento, tinha estado prestes a suicidar-se ontem).

Perguntou-me se eu era católico e, como ele também era (apesar de ter começado com um "inch Allah") eu tinha o dever de o ajudar.

Bom, não sei como desenrasquei mas (infelizmente a minha carteira estava em cima da secretária por isso não podia simplesmente dizer que não tinha nada) lá lhe expliquei que tinha jurado pela minha honra diante da bandeira do meu País que não podia dar qualquer quantia directamente a um oficial estrangeiro (malandrice...) e que podia ir preso no meu país e que o nosso sócio cá podia ser expulso da Ordem dos Advogados e que se acontecesse os filhos dele é que iriam morrer à fome etc.


Lá o convenci de que não podia e o homem foi embora.

Nisto tive de ir a casa tratar duma vistoria dos ares condicionados e quando chego ao escritório, vem um tipo que trabalha numa empresa aqui ao lado contar-me o que lhe aconteceu: um oficial do exército passou lá em baixo no escritório dele e era assim um tipo com ar abatido e físico a puxar para o "alongado" que estava com um problema enorme porque a "mulher está com uma gravidez complicada e tem de ser operada hoje e (ele) não tem dinheiro e só se queria suicidar!..." (isto ainda tem mais graça porque este tipo é japonês e ele estava mesmo perturbado por um oficial com o dobro do peso dele suplicá-lo de joelhos)

TIA...