segunda-feira, 30 de maio de 2011

Pura Vida

Bom, sei que a expressão não é normalmente aplicada aqui por estas zonas mas após o inferno que foi Sábado, nada mais me ocorreu para além da expressão costa-riquenha para descrever aquilo que foi este Domingo.

Como vos disse no último post, tinha sido convidado para um churrasco em casa duns expats (pensava eu) que conheci na 6ª à noite. (“Pensava eu” porque acabou por não ser bem em casa deles).

Para descrever bem, uma pequena explicação prévia (prévia mas tardia porque, de facto, já devia ter sido feito). Em primeiro lugar, Port-Gentil é a cidade principal da Ilha Mandji (porque há também umas aldeias semi-tribais). Depois, a ilha não é bem uma ilha, é uma península, cuja base é atravessada por um rio (que não tem ponte) e que é essencialmente arenosa (com muito manguezal).

A minha boleia apanhou-me em casa logo de manhã e arrancámos (para minha surpresa) para uma das marinas da cidade. Daí arrancámos na lancha dos expats.

A ilha, como vos disse, é arenosa e à volta tem grandes bancos de areia, que estão a seco na maré vazia e raramente estão submersos a mais de 2m. 



(esta fotografia, na maré cheia, é tirada a 150m da praia mais próxima, que está na fotografia de cima)

Mais umas fotografias do caminho. 





O destino era uma praia meio selvagem onde eles têm uma “case” que não é nada mais do que uma pequena estrutura de madeira, com uma mesa (e um pequeno churrasco ao lado). Este foi o cenário quando chegámos (às 10h15 da manhã).




À tarde demos um passeio pelos rios do manguezal que desaguam ali perto. Mesmo no meio desta selva, a água é duma transparência inacreditável. 




 



Ao final da tarde voltámos para Port-Gentil.

Apanhei um escaldão nas orelhas (nunca me tinha acontecido) e nas costas, mas não tem mal… soube bem.

domingo, 29 de maio de 2011

Detesto o Barça

Este fim-de-semana podia está a ser mitigado...

Na 6ª ao fim do dia fui beber um copo com uns franceses e um escocês num bar porreiro que é tipo os Meninos do Rio aqui do sítio. Estivemos lá um pouco ao fim da tarde / início da noite e deu para conhecer umas pessoas.
Ontem (Sábado) estive 13h30 a assistir um cliente no encerramento de umas negociações com um sindicato e portanto não só estive a trabalhar o dia todo, como não cheguei a tempo de ver a final da Champions League, que ainda por cima foi ganha pelo Barcelona (presumo que justamente mas não deixa de ser o Barcelona que eu detesto).

Passei agora pelo escritório para apanhar o passaporte (aluguei carro para este fim-de-semana e convém andar com passaporte porque é a única coisa que as autoridades reconhecem nestas paragens) e vou para um churrasco em casa dum dos franceses com quem estive na 6ª, que vai emigrar daqui a um mês para Angola.

Espero ter tempo de ir ao Cap Lopez hoje mas não sei se vai dar. É o Cabo da Roca aqui da zona e contava ter ido ontem (como perceberam não deu) e estou com ganas de ir lá... Se não der hoje vou no fim-de-semana que vem, acho que o sítio é mesmo fantástico.
Entretanto ontem de manhã quando ia para o cliente, chego ao maior cruzamento desta pequena cidade e o transito foi interrompido para deixar 150 pessoas em equipamento de maratona atravessarem a estrada principal durante aquilo que vim depois a saber ser o jogging dos militares. Foi muito bom, imaginem um tipo parar o Marquês de Pombal para deixar passar dois grupos grandes em corrida com cantoria.

Coisas da vida...

sábado, 21 de maio de 2011

Impressões lúdicas

Ontem arranjei um tipo fantástico que se ofereceu para me fazer de guia / chauffeur no fim de semana. Um gabonês engraçadíssimo e divertido.

Ao final da manhã apanhou-me no escritório (onde eu estava a escrever o primeiro post de hoje), levou-me a dar a volta á cidade para eu ficar com referências, antes de me deixar na praia.

Port-Gentil é uma cidade muito mais pequena e mais simpática (esta característica é provavelmente consequência daquela) do que Libreville. Passeando na “baixa”, não é necessário estar-se atento às empresas que estão nos edifícios: é notório que aquilo que move estas paragens é o petróleo e a madeira. 



Chegando à praia, tive a melhor surpresa até agora! Vinha com expectativas altas no que toca às praias mas isto superou aquilo que esperava (e isto é a praia da Riviera cá do sítio, imagino como serão o “Guincho” e a “Praia Grande” locais). Esta foi a primeira vista com que me deparei à chegada.

 

Almocei num restaurante em cima da praia e reparei logo numa coisa à qual não estou acostumado: os animais não têm medo. Permitam-me que clarifique: não estou a falar dos elefantes, gorilas ou búfalos (ainda não vi nenhum desses), estou a falar dos pássaros e dos lagartos. Isto foi a minha companhia constante à mesa. Para terem uma ideia, isto passou-se tudo em cima e aos pés da mesa literalmente (e tive de me mexer para pegar e ligar a máquina, e tirar as fotografias). 






Cerveja! Finalmente a minha primeira cerveja em África! Decidi que tinha de provar a cerveja local, a Régab. Só vem em litro e não é nada de especial (não a acabei).


Quer parecer-me que se vende Super Bock por cá (uma das empregadas do restaurante tinha uma t-shirt com o logo da Super Bock que dizia “Super Man” e vi o marido da pessoa que trabalha comigo estava a beber uma Super Bock em casa deles ontem ao almoço).

A praia em si é fantástica: areia branca como a cal e a mais fina que até hoje pisei! A água, felizmente, não é daquele morno que não refresca. Não é fria mas não é quente também. O suficiente para dissipar o calor…



A madeira e o petróleo não se fazem esquecer, nem aqui!

Primeiros dias em Port-Gentil


É Sábado, estou cá há quase uma semana e, finalmente, desfiz pela primeira vez (e definitivamente) as malas.

Ainda não tive tempo de comentar como tem sido por aqui. Esta cidade é bastante mais agradável (so far) do que Libreville. Verdade seja dita que o facto de estar instalado em casa e de não depender de ninguém para vir e sair do escritório é um factor importante.

Estou particularmente bem instalado. Não vou publicar fotografias nem da casa nem do escritório propriamente ditos porque i) não são meus e ii) são partilhados com mais gente (apesar de, para já, estar sozinho em casa).

A casa é situada num condomínio com espaço e muito verde (como podem ver destas fotografias tiradas à porta e em frente a minha casa). 




Dentro do condomínio há uma pequena mercearia que dá para desenrascar até ir ao supermercado (que só poderá ser 2ª). Já tenho massa, ovos, pão, manteiga e leite em casa (ideal era ter também Nesquik mas não deu) por isso já posso sobreviver tranquilamente por um tempo.

O condomínio faz fronteira com um complexo comercial pequeno onde se situa o escritório. Em um minuto e meio a pé, atravesso o condomínio e já combinei com o “gardien” da galeria comercial que ele deixava a porta das traseiras (que dá para o condomínio) aberta. Esta é a vista do escritório.


Ainda não consegui tirar muita fotografias dos pássaros mas há várias coisas fantásticas por estes lados. Praticamente não há pombos. Para perceberem bem, já vi mais vezes papagaios do que pombos… Consegui entretanto apanhar fotografias de um bicharoco engraçado.


Ontem a caminho de uma reunião com um cliente, passei no centro pela Igreja de St. Louis. Apanhei só esta fotografia mas quero voltar aqui para visitar melhor. Já vi por cá uns sítios engraçados que vou poder visitar e sei também de outros na ilha que prometem bastante.


Vou agora ver se vou um pouco à praia (pela 1ª vez). Finalmente um pouco de lazer puro e duro!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

1º dia em port-Gentil

Este post vai ser um pouco diferente dos que tenho vindo a pôr, e sê-lo-à por três motivos (todos completamente diferentes uns dos outros) :
1 - é referente a um dia e é publicado no próprio (do dia);
2 - não vai ter documentação fotográfica (nem sismográfica, já agora) de qualquer espécie; e
3 - é a 1ª vez que publico dois posts no mesmo dia pelo que, a fortiori (tinha saudades de usar latim... tirei Direito para quê senão para usar latim?), este é o primeiro 2º post de um dia.

O dia de hoje começou muito cedo (e vai acabar relativamente tarde) mas correu muito bem. De madrugada apanhei um voo de 30minutos para Port-Gentil. Esta cidade não tem nada a ver com Libreville. Desde logo porque é muito mais pequena, mas também porque é situada numa ilha.


Port-Gentil é a "cidade do petróleo" do Gabão. É mais notório, nesta cidade, o ambiente de negócio que aqui se vive. Os restaurantes são propícios para isso, há expatriados em todo o lado, a vida é um pouco mais cara e, sobretudo, nota-se mais o contraste com a realidade dos locais.


No entanto, há um fenómeno estranho que não sei explicar (porque não tive tempo para pensar nisso ainda e, quando tiver, não não sei se chegarei alguma vez a conclusão alguma) e que é o de haver uma convivência aparentemente mais tranquila em relação a esta disparidade (sobretudo do lado da população local).


Se, em Libreville, tive às vezes a sensação que eu não era bem "olhado", aqui isso não acontece de todo.  O choque é maior em Libreville porque só se vê realidade diferente da que estava habituado (e aqui não, vê-se isso numa escala menor porque a cidade é fisicamente diferente, mas a realidade ocidental está bem presente também).

E penso que esta naturalidade apesar da disparidade nao deriva só do facto de haver uma maior percentagem de expatriados... é provável que existam sinergias que fazem com que a população local acabe por beneficiar mais com a presença dos expatriados (ainda que isso signifique vida mais cara) do que se estes aqui não estivessem (e é claro que os expatriados, esses beneficiam em estar aqui, senão estariam noutro sítio).

Bom isto são apenas pequenas dúvidas que tenho mas que não vou conseguir aprofundar hoje e, ainda que algum dia aprofunde, não sei se valerá dissertação (porque extremamente fastidioso para quem lê e porque me faltam conhecimentos de antropologia para escrever algo plausível).


Voltando ao terra-a-terra, o pouco que vi da cidade agradou-me bastante. A nível de infraestruturas dificilmente poderia estar melhor servido (tanto a casa como o escritório são óptimos, a um minuto a pé de distância, num condomínio com espaço, jardim etc.) e a nível profissional muito interessante.

Aqui estou (fisicamente) ao lado dos clientes, sempre em contacto com eles. O tipo de dossiers que tenho para tratar é outro, a responsabilidade também é outra e, sobretudo, dou a cara, e isso não implica só dar boa imagem do escritório ou de mim (e tenho de dar de ambos), implica gerir todo o lado de relacionamento humano com pessoas de nacionalidades, idades, profissões, experiência e cultura completamente diferentes das minhas.


Mal consiga fotografar isto publico porque acho isto verdadeiramente fantástico e quero que chegue Sábado muito rápido para ir ver melhor tudo...













Último dia em Libreville

Ontem foi o meu último dia em Libreville.


Passei grande parte do dia fora do escritório mas infelizmente não tinha a máquina fotográfica comigo. Foi pena porque passei por partes da cidade que não conhecia e algumas delas era bastante interessantes.


O único evento digno de história foi o facto de ter assistido durante o almoço ao final (infelizmente, só o final) de um filme do Bruce Lee que, não contente de ser do Bruce Lee, era dobrado em francês! 




Neste momento já estou em Port-Gentil, e só queria deixar umas últimas fotografias de Libreville que tirei ainda no fim do dia de ontem e as primeiras fotografias, durante a aterragem em Port-Gentil, hoje de madrugada.

















Já há novidades (visto que estou numa cidade nova), mas ficarão para mais logo.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Pequeno flagelo

Hoje não tenho grande coisa para contar. Estou instalado (pelo menos até 5ª) no sítio definitivo, tratei ontem de algumas coisas básicas necessárias para estar verdadeiramente instalado e operacional e, portanto, hoje foi já trabalho a sério.

Queria, no entanto, debruçar-me sobre um pequeno “flagelo” destas terras, que me tem atormentado, e que é o seguinte: os chuveiros não têm pressão.

Isto parece ser algo completamente insignificante mas a verdade é que com 30ºC e humidade entre os 93 e os 98%, acaba por ser crítico. 

Estou no banho e não sei se estou a) a suar, b) com a pele húmida devido à humidade que me rodeia ou c) molhado com água do duche. É que isto é de tal forma grave, que parece que o duche não está a lavar! Quase que tenho saudades daqueles duches a que chamo “chuveiro-esfoliante” que sai com tanta força que dói (lava bem porque na realidade arranca uma camada de pele).

Lembra-me a letra duma música da banda Goldfinger cujo título é “My Girlfriend’s Shower Sucks” (cf. http://www.youtube.com/watch?v=0qghwYozdD8) que diz basicamente o seguinte: “e não tem pressão, é como se o chuveiro estivesse a fazer xixi”.

Todos os males fossem este não é?
  
Estou à espera do fim-de-semana para elaborar um comentário detalhado à culinária local. Aqueles que me conhecem sabem perfeitamente que é fulcral para mim o departamento nutricional, aliás o meu... porte (vá...) demonstra-o bem.

De resto, deixo-vos com umas fotografias da Marginal cá do sítio.