Há uma semana fui com um grupo de amigos passar o fim-de-semana a Ozouri, uma língua de terra entre o estuário do Rio Ogooué e o mar, um pouco a Sul de Port-Gentil. O caminho para Ozouri faz-se de carro, por caminhos de areia (que lembram claramente os corta-fogos da Charneca em Alcácer do Sal) e, depois, por selva até ao estuário. Aí apanha-se uma lancha que nos deixa em Ozouri.
Ozouri em si mesmo não é nada de muito rebuscado: é uma extensão de areia de cerca de 800m de largura com um lodge muito típico no extremo Norte, junto ao rio, e palmeiras e vegetação rasteira.
Não há nem lixo nem luxo, apenas praia, pesca (quando o tempo e o mar o permitem) e uma pequena aldeia de pescadores a Sul. O que faz de Ozouri um destino mais ou menos comum por estas paragens são os seguintes aspectos:
1 – Ozouri é um dos principais locais de desova de tartarugas marinhas na região; e
2 – Apesar do lodge ser muito simples, a cozinha é extraordinária.
O objectivo do fim-de-semana era, portanto, não fazer rigorosamente nada! Aproveitar um pouco as ondas, comer peixe e lagostins com fartura e, com sorte, ver alguma tartaruga (não é época da desova mas nunca se sabe).
Passámos um fim-de-semana agradável e descansados (aliás como prevíamos), pescámos um pouco na praia (não apanhámos nada) e vimos um tubarão. Vi pela primeira vez da minha vida (felizmente ao longe) um homem adulto a fazer cocó (sim, estava à espera desde o início de escrever a palavra mágica “cocó” no Tugabão). Estava a passear junto ao mar e a 40m de mim, onde acabava a praia e começavam as palmeiras, um tipo local (pescador presumo eu) encontrava-se nu, em posição fetal, (como se nada fosse) a fazer cócó (olha, escrevi-a outra vez!) no chão com vista panorâmica para o mar (excusado será dizer que dei meia volta imediatamente).
(Nós na praia à chegada)
À noite ficámos no edifício central do lodge a jogar Time’s Up e Jungle Speed, o que deu para rir bastante (entre acusações de batota e mímicas descabidas).
O ponto alto do fim-de-semana deu-se no Domingo quando, ao regressarmos da praia para almoçar (como príncipes) encontrámos uma tartaruga acabada de eclodir a remar (não sei se é assim que se diz quando elas estão em terra) freneticamente… na direcção errada! Por algum motivo a tartaruga saiu da areia e encaminhou-se para o lodge em vez de ir para o mar. Apesar deste animal claramente não ter nascido para ser um vencedor (parece-me) decidimos dar-lhe uma hipótese e levámo-la para perto do mar. Aqui ficam umas fotografias do Franklin (nome que foi atribuído ao animal… eu pessoalmente queria chamar-lhe Raymond por causa do Rain Man) que neste momento estará a caminho da Austrália ou no estômago de um qualquer animal maior que ele (digo ele mas não investigámos o sexo do animal, aliás, nem saberíamos onde procurar…) tiradas por uma amiga minha que é fotógrafa profissional (o marido dela veio para cá trabalhar e ela lançou o negócio dela como fotógrafa) e que se chama Anne-Laure Seret (www.anne-laureseret.com).
(Run Franklin! Run! Esta fotografia ficou fantástica)
(First strokes on the way to Australia)
Sábado dia 11 (último fim-de-semana desta rotação) devemos lá ir passar o dia de novo. A ver se vemos algum bicharoco…







