segunda-feira, 16 de maio de 2011

Viagem Paris - Libreville


O dia de hoje começou cedo (pelas 6h50 da manhã) para garantir que não perdia o voo. Tudo correu bem no aeroporto propriamente dito, mas assim que entrei no avião, pareceu que tudo iria correr mal daí em diante…

Mal me sento, junto à janela (expectativas a subir em flecha), senta-se ao meu lado um casal jovem com uma filha que (como seria de esperar) era ainda mais nova (mas não era mais nova tipo “já começa a ser uma mulher”, nada disso: tinha 1 ano e meio)! “Estou lixado!”, pensei eu para com os meus botões…

Encosto-me, abatido como um cão que não vê o dono há uns dias e, quando ia começar a pensar que já nada poderia piorar, a voz do “comandante” relembra-me da velha Lei de Murphy, segundo a qual tudo o que pode correr mal, vai correr mal: “Vamos sair atrasados porque um passageiro que despachou 75kg de bagagem decidiu que não vai apanhar o voo, o que nos obriga a descarregar parte da bagagem para retirar a dele. Pedimos desculpa pelo incómodo…”.

Conclusão óbvia na minha mente: nada pode correr pior agora (o que visto do outro lado do prisma quer dizer “tudo pode vir a correr melhor”, não sei porquê mas não me lembrei disso no momento, pura e simplesmente resignei-me à realidade dos factos).

Sem ser o atraso de 45 minutos no arranque, tudo correu às 1000 maravilhas! A criancinha não chorou uma vez que fosse e portou-se lindamente (dormi duas sestas e vi um filme sem qualquer incidente). Para dizer verdade, tive alguma dificuldade em portar-me tão bem como aquela criança… E como se não bastasse fiz 3 coisas que nunca tinha feito até então:
1 – Sobrevoei o Mediterrânico;
2 – Sobrevoei um deserto; e, por fim,
3 – Pousei pé em África.
 (Sobrevoar o deserto)

               (o fim do deserto)
     (Primeiras imagens na descida para Libreville)

À chegada, por mais que uma pessoa vá mentalizada para isso, o calor surpreende-nos. Uma pessoa sai do avião e esbarra, literalmente, contra uma parede de calor. Mas não é o calor a que estamos habituados (tipo o de Beja), é um calor menos violento mas muito mais presente porque envolve-nos e cola-se à pele. É como estar num banho turco constantemente (em menos agressivo); a humidade “entala-se” entre a pele e a roupa e transforma tudo numa mistela desagradável.

Acho que com o tempo vou habituar-me a este clima. É mais incómodo no início mas ao mesmo tempo não tem nada da agressividade do calor seco e implacável, que torra tudo ao nosso redor, ao qual estamos habituados: é mais aconchegante (pelo menos para já parece ser).

Após o que, por alguns minutos, pareceu ser um extravio de malas, saí finalmente (ileso e com todas as malas) do Aeroporto Internacional Léon Mba.

Fui jantar uma pizza (que estava bem boa) numa esplanada situada numa rua de terra que tinha baldios selváticos de um lado e casinhas pequenas do outro, e segui para um aparthotel (cuja fotografia da sala é esclarecedora) de onde vos escrevo estas fastidiosas linhas, antes de tentar dormir (e digo tentar porque tomei a decisão de não ligar o ar condicionado para me ir habituando ao calor).


Amanhã (2ª feira) começo a trabalhar no escritório de Libreville e mudo-me para o hotel (que só tinha vaga a partir de amanhã) de onde espero poder aceder à internet para publicar esta narrativa espectacular.

3 comentários:

  1. Portanto dormiste num motel com cor de sofá duvidosa e bordelesca, perdido nos braços de uma convidativa e aconchegante mulher, Humidade de seu nome.

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